O que eu aprendi jogando xadrez V

junho 4th, 2010 § 0

A parte da questão tática/estratégica do jogo, existe algo interessante a ser citado a respeito do código de conduta dos jogadores. Não importa se você vai enfrentar um oponente mais fraco que você, se está ganhando ou perdendo, se quer continuar ou desistir, a etiqueta vale para todas as ocasiões.

Primeiro, ao se apresentar diante da mesa, você deve cumprimentar seu adversário com um aperto de mãos. Existem pouquíssimos casos onde essa regra foi desrespeitada, e tal atitude foi impiedosamente criticada pelos meios de comunicação especializados. O cumprimento formal, antes do início do jogo, indica respeito pelo adversário, e vem com uma promessa implícita de boa conduta durante a disputa.

Segundo, durante o jogo, não é permitido, sob quaisquer circunstâcias, fazer qualquer coisa que prejudique a atenção ou concentração de seu adversário. Ao contrário do que muitos pensam, durante uma partida oficial, você pode sim se levantar da cadeira, andar pelo salão de jogos, observar outras partidas disputadas ao redor e até mudar seu ângulo de visão do jogo, indo para trás da cadeira do seu adversário e vendo o tabuleiro pelos olhos dele. Mas, deve-se respeitar uma distância física para não incomodar os jogadores, com os quais você não pode conversar e nem tocar.

Terceiro, e mais importante, poucos jogos chegam ao xeque-mate, objetivo final de uma partida de xadrez. Na grande maioria dos casos, ao perceber que sua desvantagem é muito grande e não encontrando um plano de defesa adequado, o jogador simplesmente anuncia sua desistência, dando a vitória ao oponente. A isso, é seguido um novo aperto de mãos.

ShirovKasparov

Respeito é bom e todo mundo gosta

Falha comum a muitos administradores, o desdém pode levar a situações vexatórias. Negar que a concorrência está lá fora, planejando, organizando, dirigindo e trabalhando, com o mesmo empenho e dedicação que você, é pedir para ser surpreendido. Nossos adversários estão a nossa volta, perseguindo pequenas vantagens sobre nós e isso é um direito deles, tanto quanto é o seu agir da mesma forma. Respeitar a força da concorrência, contando sempre que ela fará o melhor planejamento e executará as melhores ações para superá-lo, é um sinal de inteligência administrativa. O menosprezo pela força do oponente, ou o simples pouco caso diante de suas ações, pode levá-lo a um beco sem saída. Os adversários fortes nos fazem evoluir, pois exigem o melhor de nós para que sejam superados. Sem concorrência, não há disputa, nem crescimento. Com uma visão otimista, podemos ver nossos concorrentes como aliados do nosso desenvolvimento.

Ética é primordial, e não diferencial

Pobres dos gestores que tem como melhor plano contra seus concorrentes a difamação. Enquanto você está falando mal dele para seus funcionários e clientes, ele está trabalhando e ganhando mercado. Ações anti-éticas para superar a concorrência revelam a incompetência dos administradores. Se você não consegue vencer jogando limpo, então você já está perdido. Não critique abertamente as ações de seus adversários, principalmente diante de cliente, pois estará demonstrando fraqueza e sentimentos mesquinhos, como inveja e ignorância. Faça o seu melhor, sempre, isso basta.

Saiba perder

Admita seus erros e aprenda com eles. Não procure justificativas para seus derrotas que estejam fora de você mesmo. Ao término de uma partida de xadrez, é comum que seja feita uma análise da mesma, movimento a movimento, para que se detecte onde ocorreram erros e quais seriam as melhores alternativas para evitá-los. Por que não fazer o mesmo nas empresas? Por que os erros são motivo de vergonha e não de aprendizado? E qual a vantagem de punir os erros e não aprender com eles?

Somos humanos, e falhamos. Mais vezes do que gostaríamos. Saber o momento certo de assumir suas falhas, evitando prejuízos maiores, é uma questão de bom senso. Defender seus erros até eles se tornam irremediáveis, é pior que o erro em si. Reuniões para discutir os erros e acertos da organização, conduzidas com foco no aprendizado, e não na punição, com oportunidade para todos discutirem alternativas viáveis que poderiam ter sido aplicadas durante essa ou aquela ação, garantem a educação corporativa e são um estímulo para a extinção das falhas. Unido, o grupo se compromete a pedir ajuda no momento certo, sem ter vergonha disso, e a contar com o apoio dos colegas e da chefia nos momentos mais importantes.

Bem, com isso, encerro essa séries de artigos sobre administração e xadrez, espero que tenham gostado. Se você não joga, mas gostaria, pesquise no google sobre “aprender xadrez”, existe uma grande quantidade de sites que podem te orientar nessa fabulosa arte mental. Um bom fim de semana a todos.

O que eu aprendi jogando xadrez IV

junho 3rd, 2010 § 0

A partir do meio jogo, sempre que vamos executar um movimento, olhamos para as peças mais poderosas primeiro. O rei está seguro? A Dama será ameaçada? Ela pode atacar? O cavalo está bem posicionado? Poderá ele fazer um ataque duplo? Os bispos conseguem cravar uma peça adversária? Esses são devaneios táticos que sempre passam pela cabeça dos jogadores.

Enquanto pensamos em possibilidades de uso das armas mais poderosas, os pequenos soldados ficam em segundo plano, o que é um grande erro. Pouco a pouco, vemos que um passo adiante de um peão, pode ser muito mais proveitoso do que um gigantesco salto da Dama. E se os peões avançam juntos, como uma verdadeira tropa, um dando cobertura para o outro, bem coordenados e com o suporte das peças maiores, eles podem se tornar uma ameaça invencível.

Como exemplo, veja essa posição final do jogo entre Guillermo Garcia Gonzales contra Miguel Quinteros, de 1982.

01

Gonzales tem cinco peões contra sete do adversário, e seu rei está no campo de defesa, enquanto o rei negro já avançou até o centro do tabuleiro. Mesmo assim, a vitória é das brancas. O que conta não é a quantidade de peças de cada lado, mas sim como elas estão coordenadas. Perceba que a linha de peões brancos que segue em diagonal de a4 até d7 bloqueou todos os peões inimigos das colunas a, b e c, qe são totalmente inúteis onde estão. Cada peão dessa linha tem um papel importante. O peão a4 dá cobertura para o de b5, o de b5 para o de c6, o de c6 para o de d7, que, como um líder de esquadrão, está a um passo de chegar ao campo inimigo e ser coroado como rainha, ganhando poder absoluto. Do outro lado do tabuleiro, um só peão branco distrai o rei inimigo, e os quatro peões pretos, adiantados, mas sem qualquer coordenação, não conseguem avançar sobre o rei branco. Um ótimo trabalho em equipe!

Unidos venceremos

Estudando jogos onde os peões decidem a partida, pude perceber que, com o apoio apropriado, pequenos soldados conseguem obter vitórias incríveis. Lançar um peão sozinho e sem proteção no território inimigo, é fazer um sacrifício inútil, mas, com a devida preparação, ele chega onde os grandes não podem chegar.

Líderes de equipes de trabalho assumem a responsabilidade de liderar todas as ações dentro das empresas. Tomados por muitas obrigações, acabam ficando sobrecarregados, não ajudam o time a avançar e também não permitem a evolução de seus comandados. Em administração, delegar é uma arte. Atribuir a responsabilidade pelo sucesso a equipe, e não a seus líderes, promove um senso de cooperação e um estímulo para o crescimento conjunto. O papel da liderança é dar suporte, abastecendo os comandados com conhecimento e orientações, e saindo do caminho para que eles possam avançar com as próprias pernas. O líder ideal é o que consegue unir todos os esforços em busca de um objetivo, coordena, estimula e corrige, mas sai de cena enquanto a equipe caminha para a vitória.

A posição final do jogo citado acima, só se formou após todas as peças grandes terem se sacrificado pela formação da equipe. Cumpriram o seu papel, colocaram cada um dos soldados na posição correta, com o apoio certo, e caminhando na direção precisa. Apontaram para o alvo, deram as coordenadas, confiaram no potencial da equipe e saíram de cena, acompanhando de fora a vitória dos pequenos. Não posso esquecer de citar que, com a vitória, vem o crescimento. A equipe se torna mais coesa e poderosa, pronta para desafio maiores, como se recebesse uma nova Dama, chamada confiança e motivação.

Cabe aos gigantes o bom senso de comandar sem precisar de confetes sobre si mesmos, lembrando que a vitória da equipe, é a vitória de todos.

O que eu aprendi jogando xadrez III

junho 2nd, 2010 § 0

Nem sempre a vitória vem apenas com técnica, atenção e respeito a alguns princípios básicos. Jogadores ousados e com uma visão mais apurada, conseguem arrancar a vitória de seus oponentes de maneiras surpreendentes e inesperadas. Mas, tudo tem um preço e um erro de cálculo, por menor que seja, pode levar um movimento que seria brilhante a derrota.

Sacrifícios por um bem maior

Os jogos de xadrez realizados em torneios oficiais são registrados, lance a lance, e disponibilizados por meio de jornais, revistas, livros e sites especializados. Isso torna possível a qualquer pessoa consultar disputas realizadas no passado ou presente. Um dos mais famosos jogos da história, apelidado de “imortal”, foi a partida de Adolf Anderssen contra Lionel Kieseritzky, disputada em 1851. Sendo um jogador superior a Kieseritzky em muitos aspectos, Anderssen mostrou agressividade desde os primeiros movimentos e logo conquistou vantagem de espaço e desenvolvimento. Com base nessas pequenas vantagens, conseguiu ver uma combinação de movimentos simplesmente fantástica, que envolvia o sacrifício de um de seus bispos, as duas torres e, como se não bastasse, também da Dama, e com isso conseguiu dar xeque-mate em seu adversário. Pouquíssimas pessoas poderiam realizar um cálculo tão minucioso, detalhado e arriscado como o de Anderssen, que praticamente ofereceu todas as suas peças ao adversário para conseguir driblar as defesas do rei inimigo e obter a vitória. Para a maioria de nós, meros mortais, acompanhar o pensamento de Anderssen é como observar a mágica acontecendo no tabuleiro.

Observem abaixo o momento em que Anderssen sacrifica sua dama, jogando-a para f6, para que seja capturada pelo cavalo preto. Vejam como ele tem apenas a dama, um bispo e dois cavalos, contra as pretas, que não perderam nenhuma peça! É isso mesmo, em seu esforço de chegar ao rei inimigo, Anderssen nem sequer se deu ao trabalho de capturar qualquer peça preta, simplesmente deixou que elas derrubassem todo o seu exército, enquanto chegava, passo a passo, ao rei inimigo. Uma das mais brilhantes obras da inteligência humana.

immortalSou agressivo no que faço!

Profissionais de várias áreas de auto-denominam agressivos, competitivos e pró-ativos. Dão a cara a tapa e correm riscos para conseguir aquele que desejam. Sabem que isso envolve uma série de sacrifícios: menos tempo com a família, amizades que evaporam por falta de cuidados, relacionamentos profissionais que se abalam quando a hiper sinceridade aparece e assim por diante. Muitos calculam mal seus movimentos, fazem sacrifícios como esses citados acima e não chegam em lugar nenhum. Aí culpam a empresa onde trabalham por seu fracasso. Choramingam que a empresa não lhes deu a oportunidade que merecia, que seus esforços não foram reconhecidos, que “abriram mão de tudo pelo trabalho” e outros clichês típicos que tentam mascarar as falhas pessoais de cada um.

O que acontece é que, no trabalho, assim como no xadrez, devemos assumir riscos em busca do desenvolvimento. E assim como no jogo, na carreira, também devemos calcular meticulosamente que tipo de sacrifícios vamos fazer e que objetivo estamos buscando. Existe algo chamado de “sacrifício cego”, onde um jogador sente que deve entregar uma peça para conquistar certa vantagem, e sentir, é pura especulação, que, invariavelmente, acaba se mostrando um grande erro. No trabalho, também é assim. As pessoas começam a oferecer mais e mais, sem ter em mente o exato motivo de tal ação. Está visando o que? Quer chegar onde? E está fazendo o sacrifício certo para atingir esse objetivo? De que adianta passar horas e horas a mais no trabalho, circulando pelos corredores, se não há trabalho extra a fazer? Ou que diferença faz visitar a sala do chefe diariamente, se suas idéias não produzem nenhum resultado de impacto na organização?

A verdade é que, se você der um golpe errado, oferecendo tudo o que tem às cegas, e na hora e de forma errada, não vai poder voltar atrás. Não se voltam movimentos jamais! Não se exponha para não parecer um puxa-saco inútil, não fale demais para não se tornar um chato, faça o seu trabalho bem feito, conquiste pequenas vantagens e use-as como base para arquitetar algo maior. Idéias brilhantes não aparecem do nada, uma fundação sólida é o que elas precisam para florescer. Analise, estude, refaça seus cálculos, enquanto vai conquistando o seu espaço e, no momento certo, invista tudo o que tem, suas idéias, seu potencial, sua energia em um objetivo de grandes ganhos e definitivo. Basta uma grande idéia sustentada por muitos pequenos trabalhos para mudar a sua carreira. Pense nisso.

O que eu aprendi jogando xadrez II

junho 1st, 2010 § 0

Existe um velho ditado que diz que “a melhor maneira de jogar xadrez é sentado sobre as próprias mãos”. Isso quer dizer que o jogador deve controlar sua impulsividade, ser paciente, minucioso e pensar, no mínimo, duas vezes antes de efetuar qualquer movimento. Paciência, contudo, não é sinônimo de passividade. Agir no momento certo, e com eficiência, é tão importante quanto qualquer análise.

É melhor conquistar pequenas vantagens que fracassar em busca de grandes objetivos

Pensar grande! É isso que todos querem de nós. Ambição sem limites e superação além do imaginável. Muito bonito. Quantas pessoas você conhece que conquistaram algo grande para si mesmo do dia para a noite? Ganhadores da mega-sena? Vencedores do Big Brother? Ceeerto. É mais do que provado que as pessoas que “chegaram lá” construíram o castelo do sucesso com uma pedra de cada vez. Os que tentam o seu lugar ao sol de maneira desesperada, ou acabam na cadeia, ou com uma frustração gigantesca diante de uma visão pessoal do fracasso.

Existem dois tipos de jogadores de xadrez que me irritam, os afobados e os preguiçosos. Os afobados são aqueles que querem vencer rápido, sem qualquer base que sustente sua tentativa patética de vitória. Estão sempre por aí, jogando online. Tentam vencer com o mate pastor, uma sequência de movimentos que pode dar a vitória para as peças brancas em apenas 04 movimentos. SE o seu adversário errar no terceiro lance, SE ele não conhecer essa tática (um marciano, talvez?), SE ele for distraído a ponto de não perceber a ameaça direta ao seu rei. Como podem perceber, uma vitória que só vem com muita sorte. Eu considero uma ofensa que tentem isso contra mim, é como se dissessem: “eu te acho um idiota e vou tentar te vencer com esses movimentos patéticos e super conhecidos”. NUNCA perdi um jogo em que tentaram isso contra mim, e nunca tive dificuldade em vencer. Esse é o tipo de pessoa que acredita que pode vencer sem qualquer esforço, sem construir uma base sólida para o seu sucesso, o tipinho que decora “fórmulas milagrosas” e lê livros de auto-ajuda ao invés de trabalhar duro para chegar onde quer. Destinado ao fracasso.

Já os preguiçosos, são aqueles que não se preocupam com as pequenas vantagens, permitem que seu adversário conquiste pouco a pouco espaço e mobilidade e, quando menos percebe, está perdido. Não adianta também ser afobado contra preguiçosos. Percebi que, se você constrói gradualmente pequenas vantagens a seu favor, se faz o melhor possível no momento presente, visando ganhar pouco, mas de maneira definitiva, logo você tem vantagens o suficiente para algo maior. É assim, pensar grande tira sua atenção das coisas menores, que podem ser o caminho para você chegar onde deseja.

Vejam só um exemplo recente disso.

Brancas: Zdravko Stoyanov

Pretas: Junior Cazeri

1.e4 d5

01Stoyanov começou bem, lançou o peão branco no centro do tabuleiro, dominando com ele a casa d5. Como provocação e combate à posição, joguei o meu peão em d5, oferecendo ele para que seja capturado (no xadrez, os peões capturam peças em diagonal). Essa é a chamada Abertura Escandinava, as brancas precisam capturar o peão para manter a iniciativa e lutar pelo centro.

2.e5 c5

02Meu adversário resolveu simplesmente ignorar meu contra-ataque e cometeu seu primeiro erro, moveu a mesma peça pela segunda vez na abertura, indo com o peão de e4 para e5. Com isso, perdeu o tempo e a iniciativa. Movi meu peão para c5 e fiquei com o domínio de 4 casas do tabuleiro (b4, c4, d4 e e4), enquanto ele só controla duas (d6 e f6). Uma pequena vantagem, que fará toda a diferença.

3.h3 Cc6

03Em desvantagem no centro do tabuleiro, o setor mais importante, Stoyanov preguiçosamente jogou o seu peão de h2 para h3, tentando evitar que o meu bispo (que anda em diagonal no xadrez) pudesse atacá-lo indo para g4. Mas, por que eu faria isso? Pra quê eu atacaria diretamente o rei inimigo, se ainda não tenho uma formação sólida o suficiente para sustentar essa ação? Enfim, joguei meu cavalo de b8 para c6 (os cavalos andam em L) e com isso ataquei a única peça branca no centro, o peão que está em e5.

4.f4 e6

04Depois de realizar a pior defesa possível, protegendo o peão de e5 com o de f4, as brancas negligenciaram mais uma vez a importância do centro do tabuleiro. Seria muito mais lógico levar uma peça para o combate, como por exemplo, movendo o cavalo de g1 para f3. Mas não, ele preferiu mover outro peão, que é uma peça de pouco alcance, jogando nas laterais e ainda deixando um grande caminho aberto até o seu rei. Movi meu peão de e7 para e6 para dar passagem para minha Dama, mas ele entendeu errado o movimento.

5.a3 Dh4 (xeque)

05Ao invés de se concentrar no que era mais importante, o desenvolvimento de suas peças e a proteção do rei, Stoyanov preocupou-se com um detalhe irrelevante, moveu o peão de h2 para h3 para se proteger do meu bispo, que nem sequer poderia atacar nada, já que ainda tenho um peão trancando o seu caminho. Depois dessa, eu já tinha vantagens suficiente para atacar. Dominava totalmente o centro do tabuleiro com dois peões, tinha uma peça desenvolvida (o cavalo) contra nenhuma do adversário e o caminho livre para chegar até o rei com a Dama. Não tive dúvida, movi a Dama (que pode andar em qualquer direção) para h4, dando um xeque (que ocorre quando o rei adversário está sendo atacado).

6.Re2 Cd4 (xeque)

06Vejam como pequenas vantagens acabam com as alternativas do adversário. Quando você está em xeque, a única coisa que pode fazer, é defender ou mover o rei. E para onde Stoyanov vai levá-lo? Para o centro do tabuleiro, onde meu domínio é completo. Depois que ele fugiu do ataque da Dama, indo de e1 para e2 (o rei anda em qualquer direção, mas apenas uma casa de cada vez), joguei meu cavalo de c6 para d4, dando outro xeque e obrigando-o a se defender novamente, enquanto trazia outra peça para o centro, aumentando o seu alcance.

7.Re3 Cf5 (xeque)

07Pobre rei. Cada vez mais cercado, dá mais um passo adiante, indo de e2 para e3, e chegando ainda mais perto das peças inimigas. Não há qualquer chance de Stoyanov se salvar agora, depois de abrir mão de lutar pelo centro do tabuleiro, só lhe resta fugir com o rei de um lado para o outro até ser derrotado. Joguei o cavalo de d4 para f5, dando outro cheque e já ameaçando levar a dama para g3, deixando-a ainda mais próxima do rei inimigo.

8.Rf3 Dg3 (xeque) as brancas desistem

08Perdido, meu oponente ainda cometeu um último erro, ignorando a ameaça da dama, moveu o rei de e3 para f3, aproximando-se de minha peça mais poderosa. Imperdoável. Joguei a dama para g3 dando um novo xeque. O rei não pode capturar a dama, já que ela está protegida pelo cavalo. São apenas duas peças que tenho no ataque, que caem sobre o rei inimigo diante de todas as suas peças, que não podem fazer absolutamente nada, senão observar o que acontece. Stoyanov desistiu e eu venci, já que agora o rei só poderia se mover para uma única casa, de f3 para e2, e seria xeque mate assim que eu movesse meu cavalo de f5 para d4 (o xeque-mate ocorre quando o rei é atacado e não pode ser defendido e nem se mover sem ficar sobre novo ataque). Fim de jogo.

Veja como são as coisas, a partir de pequenos movimentos no lugar certo, consegui dominar todo o jogo, enquanto meu adversário focava em detalhes sem importância e ignorava meus avanços. Você tem adversários em seu dia a dia, concorrentes da sua empresa, colegas que querem a mesma promoção que você, entre outros. Como você está lidando com isso? Está cedendo terreno e deixando que eles conquistem pequenas vantagens enquanto você apenas observa? Está perdendo tempo lidando com detalhes enquanto o que realmente importa é ignorado? Quais foram seus avanços nos últimos dias? E como isso melhorou a sua posição ou a da sua empresa?

Tome cuidado, o xeque-mate pode vir mais rápido do que você imagina.

O que eu aprendi jogando xadrez

maio 31st, 2010 § 0

Eu realmente acredito que toda criança devia aprender a jogar xadrez. Nada profissional ou competitivo. Apenas os conceitos fundamentais, alguns estudos de táticas, finais e aberturas. E muita diversão com prática, jogando pela internet ou com os amigos. Com o passar do tempo, ela vai desenvolver seu gosto por outros desafios, como esportes, jogos eletrônicos ou de azar. Não importa, já vai ter dentro dela que, em certas disputas, dois exércitos e 64 casas de um tabuleiro bastam para exercitar seu raciocínio e criatividade até o limite.

Como o xadrez é pouco praticado no Brasil, é difícil encontrar onde e com quem jogar. Resta apenas a internet, o que é um grande empecilho, já que afasta a criança da sensação de ter um oponente bem na sua frente e aprender a medir seu comportamento. Mas, fazer o que? O importante é que, com o xadrez, certas coisas se tornam mais lógicas e, certas verdades do jogo, podem ser aplicadas em variadas situações do dia a dia de qualquer profissional.

No começo, foque no que realmente importa

É lugar comum aos praticantes do xadrez que, durante os primeiros movimentos, deve-se concentrar no domínio do centro do tabuleiro, pois as peças ali posicionadas podem se mover para qualquer direção, o que dá dinamismo ao seu exército. Não há tempo a perder! Quem vacila em dominar o centro na abertura, acaba em desvantagem e, normalmente, derrotado.

Muitas vezes, ao me deparar com certas situações novas no trabalho, tarefas que nunca tinham sido feitas antes, me vi perdido num mar de detalhes. Coisas mínimas que ficavam cutucando minha cabeça e inibindo qualquer tipo de ação. Preso a todos os pormenores, provavelmente, eu não entregaria trabalhos no prazo ou com a qualidade exigida. Lembrando da principal regra de abertura no xadrez, aprendi a filtras as informações, a encontrar qual o “centro” do problema, separá-lo das demais possibilidades e detalhes e focar minha atenção no que realmente importa. Dominar o “centro” de qualquer problema rapidamente é a base para encontrar uma solução dinâmica e definitiva. Tentar estudar todas as possibilidades e detalhes de uma situação antes de realizar qualquer ação, só vai levar a atrasos. Os detalhes são variáveis, mudam o tempo todo, e a espera só torna a informação que você recebe mais e mais obsoleta. O “centro” de qualquer questão, ao contrário, é estável e espera por suas ações. Olho no domínio do centro. E rápido.

Dê a tarefa mais importante para a pessoa mais ágil

Outra regra comum da abertura do xadrez é: no início, mova peças, e não peões. Começamos sempre dirigindo os cavalos e os bispos para posições onde eles possam avançar rapidamente, apontando para o centro, ameaçando a evolução do exército inimigo, incomodando pelo seu posicionamento sólido. Enquanto isso, as peças mais poderosas, no entanto, mais lentas, como as torres, continuam em seus lugares, aguardo sua vez de agir.

Numa equipe de trabalho, é importante conhecer as características de cada colaborador. Por mais que a empresa queira padronizar o perfil de cada funcionário, criando um exército de lutadores ágeis, astutos, enérgicos e com atitudes vencedoras, sabemos muito bem que, felizmente, pessoas diferentes, possuem características igualmente diferenciadas. Entender o que você pode esperar de cada colaborador em situações limite, ajuda, e muito, na solução de problemas. Se você identificou o “centro” de seu problema, a quem vai designar a tarefa de lidar com ele? Aquele especialista técnico, que possui um vasto conhecimento, mas é lento na tomada de decisões e nas ações? É claro que não. Os maiores problemas são resolvidos pelas pessoas com as atitudes certas, tendo em sua retaguardada conselheiros dispostos a supri-los com o conhecimento que precisam. Quando pessoas realmente dispostas a solucionar o “X” da questão atacam o problema principal, elas contam com o suporte de outras para livrar-se dos detalhes que podem atrasá-las ou confundi-las. Delegar a tarefa certa, para a pessoa certa, é resolver 90% de qualquer situação.

Ponha todo o time para trabalhar

Outra regra básica do jogo: na abertura, desenvolva todas as suas peças. Não mova duas vezes a mesma peça sem que as demais já estejam desenvolvidas. Claro, há excessões. Se o seu adversário jogar terrivelmente mal, com apenas duas peças você pode vencê-lo. Mas não estou falando de coisas simples, estou falando da verdadeira guerra, onde seu oponente pode, e vai, fazer sempre a melhor jogada contra você.

Coisa comum em muitas empresas é sobrecarregar um colaborador talentoso de tarefas, enquanto outros repousam cômodamente na rotina. De esforço em esforço, ele acaba vacilando e cai. Como se não bastasse, ainda vão apontar o dedo pra ele e dizer: “viu, ele não era tão bom assim.” Tenha dó. Se você tem um objetivo para sua empresa e dispõe de uma equipe para auxiliá-lo a atingi-lo, por que sobrecarregar apenas uma pessoa na execução do trabalho? Se você não confia no potencial dos demais membros do seu time, por que não os demiti e contrata pessoas mais qualificadas? Não há o menor sentido em depositar toda a responsabilidade sobre um único indivíduo, inibindo o desenvolvimento dos demais com desafios e motivação, minando o crescimento da equipe e sua própria mobilidade. Sim, a sua. Você que paga o salário de uma equipe mas fica nas mãos de uma só pessoa para resolver todos os problemas, saiba que até o mais vigoroso dos seus funcionários tem uma reseva limitada de energia, e quando ela começar a acabar, ele vai questionar o papel que representa na organização, se realmente ganha o que merece e se você é suficientemente competente para chefiá-lo. Mobilidade! Todos se desenvolvendo juntos para fortalecer a equipe toda.

Damas é para vagabundos - Paul Morphy

Damas é para vagabundos - Paul Morphy

Os melhores podcasts da internet

maio 27th, 2010 § 2

Um podcast, pra você que só usa a internet pra mandar depoimentos ridículos para seus amigos no Orkut e não sabe que tem coisas interessantes na rede, é um bate papo entre amigos, normalmente em torno de um tema selecionado, que é gravado em mp3 e distribuído gratuitamente. Existem podcasts sobre os mais variados temas, alguns muito bons, outros muito chatos. A lista abaixo mostra alguns dos mais divertidos que já ouvi. Baixe e confira.steez-headphone-monkey- Nerdcast: provavelmente o mais conhecido e badalado dos podcasts, muita qualidade no aúdio e nos efeitos, com pessoas carismáticas e divertidas. Alottoni e Azaghal conduzem o bate papo com muito humor, e é impossível não rir quando o tema é mundano, como carnaval, bebedeiras e manias, mas também falam de cinema, literatura, quadrinhos e outras coisas. Já está em sua 210ª edição. Imperdível.

- RapaduraCast: Jurandir Filho e Maurício Saldanha conduzem um ótimo podcast sobre cinema, com cobertura e opiniões sobre os filmes mais recentes. As curiosidades e as teorias são bem legais, já que eles não pensam duas vezes antes de falar o que pensam.

-Monacast: sim, sim, existe também um podcast da mais alta qualidade destinado ao público feminino. O Monacast, das Monalisas de Pijamas, que comenta sobre tudo aquilo que a mulherada gosta. Já ouvi alguns, confesso, e é absurdamente divertido.

- Podcast MdM: o MdM (melhores do mundo), é o melhor blog brasileiro sobre quadrinhos, com atualizações diárias e quentinhas. O podcast dos caras também tem temas interessantes. As vezes é bastante apelativo e o excesso de palavrões e a edição um pouco preguiçosa podem irritar os iniciantes, mas, pra quem gosta do assunto, é show de bola.

- PodEspecular: esse é um podcast bem novo, até agora foram apenas 04 edições, mas é muito bom. O tema é a literatura, cinema e outras formas do fantástico, o que envolve ficção científica, terror e outros gêneros. Sempre dão ótimas dicas de livros e filmes também, e capricham na qualidade. Espero que se mantenham firmes no projeto, que tem tudo para dar certo.

Clássico sim, chato… jamais!

maio 26th, 2010 § 0

O que te impede de ler os clássicos da literatura? A linguagem antiquada, a estrutura narrativa linear e ultrapassada, os costumes descritos detalhadamente e de forma soporífera? Pois saiba que é sim possível ler um autêntico clássico, se divertir e não parecer careta, basta você comprar esse livro aqui:

01

O trabalho se Seth Grahame-Smith pode parecer simples, e talvez realmente o seja, mas é muito criativo e divertido. Ele converteu o clássico Orgulho e Preconceito de Jane Austen em uma história  repleta de zumbis canibais, donzelas treinadas em templos Shaolim e ninjas assassinos. Heresia? Ah, por favor. A obra de Jane Austen é recheada de humor e ironia, rica em sua linguagem e dinâmica, mas, mesmo assim, dificilmente se tornaria hoje o livro favorito de um público chegado a vampiros afeminados de todos os tipos. A adaptação de Seth Grahame-Smith manteve intocado quase todo o material original, lançando mão das criaturas sobrenaturais e dos contra ataques com espadas katana apenas nos momentos em que a história ameaça cair na chatice absoluta.

Você acompanha a saga das irmãs Bennet em uma Inglaterra vitimada por uma praga de zumbis. As famílias enviam seus filhos e filhas para o oriente, para que sejam treinados em artes marciais mortais, de forma a proteger o reino britânico das criaturas satânicas. É nesse cenário peculiar que são apresentadas as garotas Bennet, exímias e mortais lutadoras, que se envolvem em assuntos mais mundanos, como romances e casamentos. E toda vez que surge a ameaça de pieguice, braços e cabeças são decepados. O que mais você quer de um clássico? É simplesmente imperdível. Leiam.

Quando a criatura supera (e muito) os criadores

maio 24th, 2010 § 1

Acabou ontem nos EUA a série mais cultuada, comentada e assistida da década. Com quase duas horas de duração, o capítulo final de Lost põe fim a seis temporadas de mistérios, discussões e teorias sobre o destino derradeiro dos sobreviventes do vôo 815 da Oceanic.

Incrível como a TV conseguiu roubar o público de outras mídias mais glamourosas, como o cinema, nos últimos anos. Isso se deu principalmente pela possibilidade de ir além dos 120 minutos, considerado universalmente o tempo médio padrão de um longa metragem, e com todo o tempo do mundo, por assim dizer, as produtoras poderia levar ao público histórias muito mais complexas, sólidas e profundas do que seria possível na telona. Verdade… e mentira.

Lost arrebatou a imaginação de fãs ao redor do mundo pela originalidade, o que em nossos tempos é um grande mérito. Apresentou uma linguagem narrativa moderna e dinâmica, personagens bem construídos, um plot cativante e com mistérios o suficiente para gerar discussões e curiosidade. Algo tão brilhantemente construído, que ruiu diante de sua própria grandeza, já que a partir da quarta temporada a série foi perdendo força, brilho, criatividade e, chegando agora aos derradeiros capítulos, era um suplício aguentar acordado cada episódio, com os personagens fazendo juz ao nome da série, perdidos, indo e vindo, andando em círculos que levavam a lugar nenhum, evidenciando, a cada minuto, que isso tudo não acabaria bem.

Fica óbvio, encerrada a série, que os roteiristas foram vencidos por sua própria criação. Lost se tornou grande demais para ser fechada com dignidade, cresceu além da capacidade criativa do time responsável por seu desfecho e, infelizmente, a melhor série da década, teve a pior temporada final da história da TV. E vejam bem, eu acompanhei Arquivo X durante longos anos, e acreditava que o final da série de Chris Carter era o limite da mediocridade no encerramento de uma jornada televisiva desse porte. Lost consegue ser pior do que imaginou o mais pessimista dos expectadores.

Sem explicar absolutamente nada dos infindáveis mistérios plantados ao longo de sua existência, Lost apelou para cenas risíveis e patéticas de ação em seu desfecho e, pior, para ceninhas melodramáticas tentando arrancar lágrimas da audiência. Acho que será muito difícil enganar os seguidores pensantes da série com a prentensa “tensão” final. O único incômodo real é ver que se está chegando aos minutos finais e nada se resolve.

Apelar para soluções fáceis e melodramáticas, ou mesmo religiosas, esconder a falta de respostas com o argumento da “fé”, que com certeza vai iludir muitos fãs xiitas, incapazes de um pensamento crítico, foi triste. A despedida de Lost não poderia ser mais deprimente. A TV perdeu uma grande oportunidade de superar o cinema e entregar um clímax digno da audiência cativa que acompanhou toda a série. Tenho certeza que não serão poucos os que vão pensar: “o final de Lost era melhor na minha imaginação”.

Cores digitais em ilustração de Michael Turner

maio 19th, 2010 § 0

Mais um trabalhinho de colorização digital, dessa vez, sobre a obra do saudoso Michael Turner, que ganhou uma legião de fãs pelo seu estilo único e infelizmente faleceu precocemente. A arte final é do Mattias, as cores, são minhas.

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Colorização Digital: Vídeo Aulas

maio 18th, 2010 § 0

Conforme o prometido, aí estão os primeiros vídeos das aulas de colorização digital através do Photoshop. Usei uma belíssima ilustração da personagem Morrigan, feita pelo grande Mattias e exibida no deviantArt. Clique no link e conheça o trabalho do cara, é fantástico. O que temos, a princípio, é a seguinte ilustração:

Morrigan01

Agora é só você abrir a imagem no Photoshop, dar um play nos vídeos abaixo e, em menos de vinte minutinhos, você terá o conhecimento suficiente para colorir a ilustração com as cores principais. Então, vai lá:

A tabela de cores RGB para a imagem é a seguinte:

Pele: FFC7BB

Cabelos e olhos: 5DA692

Luvas e Unhas: DA6194

Pernas: 9263A7

Corpete, botas e estrutura das asas: 0F1428

Asas: 582F7B

Lábios: F9A2AA

O resultado esperado, é esse:

Morrigan 02

O próximo passo é adicionar sombras e luz à figura, e também modificar o fundo da imagem para torná-la mais intensa, mas isso é assunto para outro post. ;)