A parte da questão tática/estratégica do jogo, existe algo interessante a ser citado a respeito do código de conduta dos jogadores. Não importa se você vai enfrentar um oponente mais fraco que você, se está ganhando ou perdendo, se quer continuar ou desistir, a etiqueta vale para todas as ocasiões.
Primeiro, ao se apresentar diante da mesa, você deve cumprimentar seu adversário com um aperto de mãos. Existem pouquíssimos casos onde essa regra foi desrespeitada, e tal atitude foi impiedosamente criticada pelos meios de comunicação especializados. O cumprimento formal, antes do início do jogo, indica respeito pelo adversário, e vem com uma promessa implícita de boa conduta durante a disputa.
Segundo, durante o jogo, não é permitido, sob quaisquer circunstâcias, fazer qualquer coisa que prejudique a atenção ou concentração de seu adversário. Ao contrário do que muitos pensam, durante uma partida oficial, você pode sim se levantar da cadeira, andar pelo salão de jogos, observar outras partidas disputadas ao redor e até mudar seu ângulo de visão do jogo, indo para trás da cadeira do seu adversário e vendo o tabuleiro pelos olhos dele. Mas, deve-se respeitar uma distância física para não incomodar os jogadores, com os quais você não pode conversar e nem tocar.
Terceiro, e mais importante, poucos jogos chegam ao xeque-mate, objetivo final de uma partida de xadrez. Na grande maioria dos casos, ao perceber que sua desvantagem é muito grande e não encontrando um plano de defesa adequado, o jogador simplesmente anuncia sua desistência, dando a vitória ao oponente. A isso, é seguido um novo aperto de mãos.
Respeito é bom e todo mundo gosta
Falha comum a muitos administradores, o desdém pode levar a situações vexatórias. Negar que a concorrência está lá fora, planejando, organizando, dirigindo e trabalhando, com o mesmo empenho e dedicação que você, é pedir para ser surpreendido. Nossos adversários estão a nossa volta, perseguindo pequenas vantagens sobre nós e isso é um direito deles, tanto quanto é o seu agir da mesma forma. Respeitar a força da concorrência, contando sempre que ela fará o melhor planejamento e executará as melhores ações para superá-lo, é um sinal de inteligência administrativa. O menosprezo pela força do oponente, ou o simples pouco caso diante de suas ações, pode levá-lo a um beco sem saída. Os adversários fortes nos fazem evoluir, pois exigem o melhor de nós para que sejam superados. Sem concorrência, não há disputa, nem crescimento. Com uma visão otimista, podemos ver nossos concorrentes como aliados do nosso desenvolvimento.
Ética é primordial, e não diferencial
Pobres dos gestores que tem como melhor plano contra seus concorrentes a difamação. Enquanto você está falando mal dele para seus funcionários e clientes, ele está trabalhando e ganhando mercado. Ações anti-éticas para superar a concorrência revelam a incompetência dos administradores. Se você não consegue vencer jogando limpo, então você já está perdido. Não critique abertamente as ações de seus adversários, principalmente diante de cliente, pois estará demonstrando fraqueza e sentimentos mesquinhos, como inveja e ignorância. Faça o seu melhor, sempre, isso basta.
Saiba perder
Admita seus erros e aprenda com eles. Não procure justificativas para seus derrotas que estejam fora de você mesmo. Ao término de uma partida de xadrez, é comum que seja feita uma análise da mesma, movimento a movimento, para que se detecte onde ocorreram erros e quais seriam as melhores alternativas para evitá-los. Por que não fazer o mesmo nas empresas? Por que os erros são motivo de vergonha e não de aprendizado? E qual a vantagem de punir os erros e não aprender com eles?
Somos humanos, e falhamos. Mais vezes do que gostaríamos. Saber o momento certo de assumir suas falhas, evitando prejuízos maiores, é uma questão de bom senso. Defender seus erros até eles se tornam irremediáveis, é pior que o erro em si. Reuniões para discutir os erros e acertos da organização, conduzidas com foco no aprendizado, e não na punição, com oportunidade para todos discutirem alternativas viáveis que poderiam ter sido aplicadas durante essa ou aquela ação, garantem a educação corporativa e são um estímulo para a extinção das falhas. Unido, o grupo se compromete a pedir ajuda no momento certo, sem ter vergonha disso, e a contar com o apoio dos colegas e da chefia nos momentos mais importantes.
Bem, com isso, encerro essa séries de artigos sobre administração e xadrez, espero que tenham gostado. Se você não joga, mas gostaria, pesquise no google sobre “aprender xadrez”, existe uma grande quantidade de sites que podem te orientar nessa fabulosa arte mental. Um bom fim de semana a todos.



















