Os ratos se esbaldam em porões de navios, um clima ideal para sua segurança, escuro e cheio de lugares propícios para que possam se esconder, muito alimento desprotegido e um calor indecente, próprio para o acasalamento e procriação. Enquanto o navio segue seu rumo, os ratos comandam o porão, são senhores de seu espaço, inimigos ágeis e quase invisíveis, que seguem por uma viagem cujo destino eles desconhecem. Estão contentes em navegar pelo desconhecido e sobreviver, não possuem qualquer emoção quanto ao esforço feito pela tripulação em manter a nau sobre as águas. A eles basta que não lhes falte o depósito, que possam usufruir do que consideram seu de direito. Apropriação total do esforço alheio. Por isso são tão odiados, por seu egoísmo egocêntrico e sua indiferença aos danos que sua simples presença pode causar.
Administradores e ratos de navio têm mais em comum do que você pode imaginar. Muitos administradores se esgueiram pelas empresas que parecem comandar, com seus olhos miúdos famintos por lucros. Vivem nos bastidores, assim como os ratos no porão, observando de longe o trabalho da equipe e desconhecendo totalmente o rumo que a empresa está tomando. Incapazes de planejar, esses “administradores de porão” se concentram unicamente no lucro imediato que a equipe de trabalho pode oferecer, e nas sobras que lhes chegam aos dentes famintos e insaciáveis. Sua presença causa asco na equipe que, verdadeiramente, comanda a empresa. São desagradáveis, arrogantes, de personalidade ácida e fria. Fazem questão de se apropriar dos méritos alheios e devorá-los como se fossem seus, indiferentes ao mal que causam a auto-estimam dos que se esforçam para mantê-los navegando rumo ao desconhecido e bem alimentados.
Os ratos só compartilham da viagem rumo ao desconhecido quando se sentem seguros. Ao primeiro sinal de problemas, não exitam em abandonar a provisão de alimentos e sair do navio, cientes de que sua sobrevivência é mais valiosa do que um estoque farto de comida. Não olham para trás, nadam indiferentes ao naufrágio que acontece as suas costas. A tripulação, para eles, deixa de existir no momento em que não lhes é mais útil.
Os “administradores de porão” não possuem qualquer aptidão para participar ativamente das decisões que auxiliam na direção da empresa. Quando muito, pedem alguns relatórios e usam seus olhinhos pequenos e gananciosos para analisar as possibilidades de ganhos imediatos. Se o navio-empresa começa a oscilar devido a qualquer fator, sejam as ondas imprevisíveis do mercado, ou o cansaço da equipe que a comanda, imediatamente ele toma a covarde decisão de se afastar. Foge dos problemas que exigem sua atenção, temeroso do fracasso, e buscando desesperadamente um meio de ficar alheio ao insucesso que pode levar ao naufrágio. Nada velozmente, afastando-se de sua equipe e das tentativas que todos fazem de se comunicar com eles. Baixam o olhar, com o estômago sempre em espamos famintos por mais lucros, mas amedrontados demais para se manter no ambiente que antes julgavam dominar, soberanos das sombras, rastejantes e dissimulados.
Sua covardia é tamanha que, diante do fracasso iminente, sequer se dirigem a sua equipe, prefere acusá-los a distância, pois não podem ser chamados a uma participação a qual não possuem habilidade para realizar. Invariavelmente, convocam alguém da própria equipe e lhe atribue a responsabilidade de “gerenciar a crise”, e só. Não são capazes de definir objetivos claros, não conseguem apresentar sugestões concretas, preocupam-se tão somente com a sobrevivência de sua imagem, delegam a responsabilidade de comandar e observam a uma distância segura o desfecho da história.
Equipes competentes conseguem dar a volta na situação, reestabelecem a ordem e atraem os ratos de volta para o porão. Equipes mal pagas, desmotivas e até mesmo despreparadas, suportam corajosamente a queda da empresa, atadas ao comando que lhes foi imposto até o fim.
Se você perceber que sua equipe de trabalho toma todas as decisões que deveriam passar pela gerência, que o seu administrador se preocupa mais com os rendimentos do que com os procedimentos, que ele rapidamente se afasta quando o assunto é a discussão de problemas, tome cuidado. A empresa onde você trabalha pode estar infestada por essa praga de roedores de lucros. Minha sugestão é: pare de servir a essa peste, se você é qualificado, tem confiança em suas habilidades e conhecimentos, procure uma empresa livre de parasitas administrativos para trabalhar. Pense no seu crescimento profissional, que deve ser bem remunerado e reconhecido. E as pragas que morram de fome.

