Foi um dia absurdamente quente em SP, quando mais de 30 mil pessoas foram ao Parque Antártica para ver Axl e os novos integrantes do Guns N´Roses ao vivo na cidade. Muita gente enfrentando uma fila gigantesca até a abertura dos portões as 17 horas e aguentando um sol de rachar coquinho na pista até surgir uma noite limpa e abafada. Suor, sede e ansiosidade do público afoito por ver a lendária banda americana.
Por volta das 20 horas subiu ao palco os Rock Rockets, banda brasileira de influência punk, que enfrentou um som simplesmente horroroso e uma platéia que os hostilizou desde o momento que apareceram. O repertório punk com letras em português não agradou ao público, que vaiou a banda que ainda teve a “brilhante” idéia de revidar as agressões verbais, chamando o público de “farofeiro” e dizendo que eles é que faziam rock de verdade. Muita petulância de um bando de desconhecidos. Saíram do palco com o público gritando “filhos da puta” e devem ter chorado no camarim… hehehe. Os Forgotten Boys se apresentaram na sequência, já com um som muito melhor, fortemente influenciado pelo rock inglês e cheios de simpatia. O set curto agradou a galera, que apladiu a banda.
As 21:30 Sebastian Bach iniciou seu show, mesclado músicas do Skid Row com as de seu novo cd, Angel Down. Cheio de vitalidade e ainda com sua voz inigualavelmente potente nos agudos e gritos, Bach agradou ao público com as clássicas “18 and a Life”, “I Remember You”, “Youth Gone Wild”, “In The Dark Room” e “Monkey Business”. Muito atencioso, falou em português com o público, correu, agitou, interagiu e gritou muito. Deixou todo mundo na energia para ver o Guns.
Só que o Guns demorou demais a aparecer. A galera já estava exausta pelo calor e pelas longas horas em pé, quando Axl subiu ao palco. Ficou evidente que a demora desgastou demais o público, que não agitou tanto quanto era de se imaginar nem mesmo nos maiores clássicos da banda. Isso sem contar que rolou um xilique básico de Mr. Rose logo na primeira música, “Chinese Democracy”, quando foi atingido por um copo de água e pediu pra banda parar de tocar, ameaçando abandonar a apresentação caso isso se repetisse. Tudo bem que uma pessoa que vai no show de uma banda e fica na pista premium, espremida na frente do palco, depois de horas na fila e outras tantas de espera, é para, no mínimo, gostar da banda. E se gosta, pra quê fazer isso? Os neurônios do responsável pela gafe devem ter fritado no sol. Enfim, o show foi retomado e o Guns foi mesclando músicas do cd mais recente com os velhos clássicos. E eu que estava lá posso dizer, o pessoal não dava a mínima para as músicas mais novas. O que mais se viam eram pessoas de braços cruzados, esperando as velhinhas mais conhecidas. A sequência com “Welcome to the Jungle”, cantada em uníssono pela platéia, “It´s So Easy” e “Mr. Brownstone” deve ter sido o ponto mais alto de interação do público.
Seguiram com “Sorry”, que só as menininhas cantaram junto; “Better”, totalmente ignorada; “Live and Let Die”, já reanimando o pessoal, “If the World”, esfriando novamente;”Rocket Queen”, que mesmo com 3 guitarristas no palco não ficou e jamais ficará com a mesma pegada de quando o Slash tocava; “Street of Dreams”, musiquinha insuportável; “Scraped”, já tinha gente conversando de costas pro palco; e a matadora sequência que fez todo mundo lembrar que era o Guns que estava ali: “Sweet Child O’Mine”, “You Could be Mine”, “November Rain”, “Knocking on Heavens Doors” e “Nightrain”. Aí sim, o público agitou, cantou junto, pulou e gritou o nome da banda. Só uma opinião pessoal, eu acho que a versão de “Knocking on Heavens Doors” do Use Your Illusion é uma das melhores regravações já feitas na história do rock, e essa versão baladinha que tocaram no show é deprimente, sem energia, sem graça, parece até preguiça da banda, mas, enfim, é só a minha opinião.
Claro que teve bis, com “Madagascar”, “Shacklier´s Revenge”, “This is Love”, “Patience” e, para encerrar, “Paradise City”, com direito a chuva de papel picado, efeitos especiais, explosões e tudo o mais o que público tinha direito. Apesa do início conturbado, Axl mostrou bom humor, conversou e brincou com a platéia, recebeu presentes em suas próprias mãos, correu muito, muito mesmo pelo palco, dançou os antigos passinhos (hehehehe) e ainda mostrou que inventou aguns novos. Quase um cinquentão, não dá pra esperar que sua voz tenha a mesma força que tinha no começo do Guns, mas ele ainda canta muito e está em grande forma. Enfim, foi um grande show, os fãs não aceitaram bem o “Chinese Democracy”, mas, isso não prejudica o grande espetáculo que o Guns levou a São Paulo.
Os pontos negativos ficaram por conta da organização do evento. O palco era absurdamente baixo, e eu vi muitas meninas chorando por que não conseguiam ver absolutamente NADA do meio da pista para trás. E, ir a um show e ver só pelo telão é sacanagem. Até achar um bom lugar, tive que ver na ponta dos pés, o que é uma mancada amadora da organização. Outra, pouco mais da meia noite, não tinha mais água nos bares do estádio. Um calor insuportável, a banda principal não tinha subido ao palco e só se vendia cerveja! Depois começaram a chegar caixas e o pessoal foi tomando água quente mesmo. Um absurdo. Isso faz com que a galera que foi para um show pela primeira vez acabe saindo decepcionada, achando que todos são assim, o que não é verdade. Mais atenção aos “detalhes” nos próximos eventos, por favor, principalmente os “detalhes” que envolvem o bem estar dos pagantes.
